Taxa Selic mantida em 6,5% ao ano: e minhas aplicações? Assessor de investimentos responde!

Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Késia Rodrigues - Colaboradora Independente
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

Crédito: Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Na última reunião do ano em 2018, o Comitê de Política Monetária (Copom) – órgão do Banco Central – decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 6,5% ao ano.

Essa é a sexta vez consecutiva que a Selic tem o seu patamar mantido, contudo, isso já era esperado pelo mercado financeiro. Vale lembrar que esse é o menor patamar atingido pelo indicador desde que foi adotado o regime de metas para a inflação, em 1999.

Em um cenário de inflação sob controle, as instituições financeiras estão com a expectativa de que a taxa de juros deve ser elevada pelo Copom de forma gradual a partir de setembro de do próximo ano, atingindo o valor de 7,5% ao ano até o fim de 2019.

A opinião do Copom

Em sua avaliação, o Copom aponta um certo “arrefecimento” do risco quanto à aprovação, ou não, de reformas, como a da Previdência, além dos ajustes que se fazem necessários à economia brasileira.

O Banco Central avalia que, caso as medidas de ajuste fiscal não sejam adotadas, haverá uma pressão para o aumento dos preços, uma vez que as incertezas relacionadas à economia brasileira aumentam.

Crédito da imagem: Reprodução/Internet

O texto mostra uma mudança no posicionamento da instituição desde a reunião anterior, feita em outubro desse ano. Nela, a avaliação era de uma frustração da continuidade das reformas, pois esse era um dos riscos mais fundamentais para a inflação.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Em contrapartida, o Copom esclarece que houve um aumento na possibilidade de que o risco de ociosidade da economia brasileira causa uma baixa da inflação em um nível “abaixo do que é esperado”.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Essa foi a primeira reunião do órgão após Estados Unidos e China acertarem uma trégua na guerra comercial. Contudo, o BC mantém a sua avaliação de que o cenário externo continua desafiador para as economias de países emergentes por conta da política de normalização dos juros adotada nos EUA e, também, pelas disputas no âmbito do comércio global.[/box]

Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Já sabe o seu perfil de investidor?

Se ainda não, a gente te ajuda com o teste de perfil, que é fácil de fazer e o melhor, de graça!

[banner id=”teste-perfil”]

Selic e inflação

A taxa básica de juros (Selic) é uma referência para todas as demais taxas que são cobradas das famílias e empresas por meio das instituições financeiras.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]As reuniões do Copom ocorrem a cada 45 dias e nelas o órgão define o patamar da Selic, que deve ter como base o cumprimento da meta de inflação, esta fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).[/box]

A meta central fixada para o ano de 2018 é de 4,5%, contudo, tanto o Banco Central quanto o Ministério do planejamento fazem a previsão de que o resultado da inflação para esse ano será de 4,3%. Já na visão dos economistas, o índice é ainda mais baixo: 3,71%.

inflacao

Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Como o regime de inflação prevê a chamada “banda”, tem-se como cumprida a meta neste ano se ela fechar entre 3% e 6%.

Na situação em que a inflação está alta ou mesmo quando indica que irá extrapolar essa meta, uma das medidas tomadas pelo Copom é o aumento da Selic. Assim, os juros cobrados pelas instituições financeiras tendem a subir, o que encarece a concessão de crédito e, consequentemente, freia o consumo e reduz o montante de dinheiro que circula na economia. Dessa forma, há uma queda na inflação.

Atualmente, o Copom tem feito a redução dos juros nas situações em que as perspectivas para a inflação andam em linha com as metas estipuladas pelo CMN.

Comentário do Assessor de Investimentos

(por Juliano Custodio)

[box type=”shadow” align=”” class=”” width=””]A notícia é muito boa! Isso porque o Copom mudou de opinião. Na reunião anterior, o Copom estava com medo de que as reformas fiscais e a reforma da Previdência acontecessem, agora o Copom já acha que essas reformas podem e devem acontecer. Isso aí é muito bom. Ou seja, os caras que estão em Brasília, dentro do Governo, falando com deputados e senadores diariamente e acham que a chance de acontecerem as reformas é muito grande.

Esse ajuste fiscal faz com que o Governo comece a gastar menos e quem sabe a gente possa voltar num ponto onde arrecadava mais como país, do que gastava. Isso é ótimo para a economia porque  tira a pressão da inflação, ou seja, existe uma boa chance de a gente se manter como um país com  inflação baixa.

Inflação baixa faz com que o empresário consiga prever melhor os seus negócios para o próximo ano, porque ele sabe que os insumos não devem subir muito no ano que vem, ou, ele tem uma previsibilidade de que na pior das hipóteses os insumos irão subir 4%, 5% no máximo. Com isso, o empresário pode diminuir as margens de lucro, deixar os produtos mais baratos, a economia circula melhor, as pessoas ficam mais confiantes e compram mais. E esse mesmo empresário, como ele consegue prever melhor o próximo ano, consegue planejar aquisições, consegue planejar crescimento de empresa com mais qualidade, gera mais empregos… E assim, a roda viva da economia vai crescendo.

Repito, a notícia é muito boa e faz a gente pensar que manteremos os juros baixos por mais tempo do que era previsto, e isso reforça o que a gente estava falando nos últimos dias, que é interessante para o momento as pessoas comprarem títulos prefixados. Dá para aproveitar que ainda existem títulos com taxas prefixadas em 10% ao ano e comprar. A Selic está em 6,5% e deve ficar assim por algum tempo, ou, subir para 7,5%, 8% no máximo no ano que vem, caso demore muito as reformas e a gente tenha uma pressão inflacionária.

Se você comprar um título prefixado longo, um título prefixado de três anos pagando 10%, você vai ter um “upside”, ou seja, você ganhar bastante, na média de 3,5% acima da Selic. Isso quer dizer ganhar até 150% do CDI.

Taxa Selic mais baixa é financiamento mais baixo. As empresas que estão listadas na bolsa, por exemplo, vão poder pegar dinheiro emprestado mais barato para crescer, e, assim, as margens sobem e o lucro sobe e, finalmente, as ações sobem na bolsa. É um cenário bom para todo mundo![/box]