O que é o COPOM?

Se você costuma acompanhar os noticiários, certamente, já se deparou pelo menos uma vez com a palavra COPOM, não é mesmo?!

Késia Rodrigues - Colaboradora Independente
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

Crédito: Crédito da imagem: Elza Fiúza/Agência Brasil.

COPOM é a sigla para Comitê de Política Monetária, que é um órgão do Banco Central do Brasil que tem a função de cuidar da política monetária do país.

Uma das principais características é que seus integrantes se reúnem periodicamente para tomar decisões de política monetária que impactam a liquidez da economia.

Entre essas decisões está a definição da Selic, que é a taxa básica de juros do Brasil e que impacta diretamente os investimentos e a concessão de crédito no país.

Conhecer o que é o COPOM é fundamental para quem acompanha a economia. Então, continue a leitura para saber mais sobre esse órgão tão importante para a manutenção do cenário econômico brasileiro.

O que é o COPOM?

Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Apesar de muitas pessoas já terem ouvido pelo menos uma vez a palavra COPOM, poucas são aquelas que efetivamente conhecem esse órgão e sabem da sua importância.

O COPOM foi instituído em 20 de junho de 1996 e o seu principal objetivo é estabelecer as diretrizes da política monetária, no sentido de executá-la e de definir a taxa de juros da economia.

Essa taxa de juros é a famosa Selic, muito conhecida dos investidores. Essa taxa é que, em muitos casos, define a rentabilidade de algumas aplicações, principalmente as de renda fixa.

Nesse sentido, quando a Selic está alta, a rentabilidade das aplicações de renda fixa tende a subir. Já quando a Selic está baixa, essa rentabilidade acaba diminuindo.

Se você deseja saber mais sobre a Selic, temos um artigo completo sobre o assunto aqui em nosso site.

Voltando ao COPOM, outro ponto importante a se destacar é que ele não é uma criação tipicamente brasileira.

Na realidade, esse comitê é inspirado em algumas instituições internacionais que, também, possuem a função de regular a economia de seus países, a exemplo:

  • Federal Open Market Committee – FOMC (EUA);
  • Central Bank Council (Alemanha);
  • Monetary Policy Committee (Inglaterra); e
  • Banco Central Europeu.

Atualmente, uma vasta gama de autoridades monetárias em todo o mundo adota prática semelhante, o que facilita o processo decisório, a transparência e a comunicação com o público em geral.

Quais são os objetivos do COPOM?

A principal função do COPOM é realizar uma avaliação do cenário macroeconômico do país e os principais riscos a ele associados.

Crédito da imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil.

É com base nessas avaliações que são tomadas as decisões de política monetária.

Além de definir a Selic, desde 1999 o COPOM também é responsável por acompanhar o cumprimento das metas de inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Há toda uma formalidade que deve ser cumprida quando a meta de inflação do país não é atingida.

Quando isso acontece, o presidente do Banco Central do Brasil, em carta aberta ao Ministro da Economia, deve informar os motivos do descumprimento, bem como as providências e prazos para o retorno da taxa de inflação aos limites estabelecidos.

Essa carta foi escrita pela última vez no mês de janeiro de 2018, pois a inflação de 2017 ficou ligeiramente abaixo do piso.

Formalmente, os objetivos atuais do COPOM são:

  • definir a meta da Taxa Selic; e
  • divulgar o Relatório Trimestral de Inflação.

Vale lembrar que o COPOM não pode aumentar ou diminuir a taxa Selic sem que, para isso, exista uma justificativa pautada na tendência do cenário econômico e no mercado brasileiros.

Na realidade, as variações na Selic tendem a acompanhar as variações de um outro índice, o IPCA, que é o indicador base da inflação no país.

Nesse sentido, diante de um cenário em que a inflação esteja controlada, a tendência da taxa Selic é cair.

Já nos momentos em que há um aumento na inflação, a Selic normalmente sobe para ajudar no controle do mercado.

Qual é a composição do COPOM?

Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Agora que você já sabe o que é o COPOM e a sua importância para a economia brasileira, chega o momento de conhecer quem são as pessoas responsáveis por tomar essas decisões tão importantes para o país.

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O COPOM é composto pelo presidente e diretores do Banco Central, que se reúnem ordinariamente oito vezes ao ano. O rol de diretores é formado pelos seguintes cargos:

  • Diretor de Política Monetária;
  • Diretor de Política Econômica;
  • Diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos;
  • Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural;
  • Diretor de Fiscalização;
  • Diretor de Regulação;
  • Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania;
  • Diretor de Administração.

Essas reuniões ordinárias do comitê ocorrem em duas sessões, ou seja, em dois dias.

No primeiro dia são realizadas as apresentações técnicas de conjuntura econômica e nele também podem participar da reunião os chefes dos seguintes departamentos:

  • Departamento de Assuntos Internacionais (Derin);
  • Departamento Econômico (Depec);
  • Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep);
  • Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban);
  • Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab); e
  • Departamento das Reservas Internacionais (Depin).

Já o segundo dia de reunião, ou seja, a segunda sessão, é destinada à decisão da meta da Taxa Selic. Nesse dia, participam apenas os membros do comitê e o chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas.

Como funciona uma reunião do COPOM

Como você observou no tópico anterior, o COPOM promove oito reuniões ao longo do ano, que também são chamadas de reuniões ordinárias.

Eventualmente pode ser convocada uma reunião extraordinária pelo presidente do Comitê para debater questões que não podem aguardar até a próxima reunião ordinária.

O prazo entre uma reunião ordinária e outra é de 45 dias. Assim, aquilo que for definido nessa reunião terá vigência até a realização da próxima reunião.

Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Antigamente, o regulamento do COPOM dizia que essas reuniões deveriam ocorrer sempre em uma terça-feira e uma quinta-feira. Contudo, o regulamento atual não traz mais essa exigência.

No entanto, as reuniões ainda continuam acontecendo em dois dias – ou duas sessões.

Além dos membros que compõem o comitê, o primeiro dia de elaboração dos trabalhos ainda poderá contar com a presença de outros servidores do Banco Central, isso quando autorizados pelo presidente.

Nesse primeiro dia, os chefes dos departamentos apresentam uma análise técnica de conjuntura do país. Essa análise envolve uma série de pontos importantes, tais como:

  • Inflação;
  • Nível de atividade;
  • Evolução dos agregados monetários, finanças públicas;
  • Balanço de pagamentos;
  • Economia internacional;
  • Mercado de câmbio;
  • Reservas internacionais;
  • Mercado monetário; e
  • Operações de mercado aberto e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

Já no segundo dia da reunião, os diretores de política monetária e de política econômica, após análise das projeções atualizadas para a inflação, apresentam alternativas para a taxa Selic e fazem recomendações acerca da política monetária.

Depois dessas avaliações feitas pelos diretores citados acima, os demais membros fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas.

Ao final desse debate é que ocorre a votação das propostas, em que se busca o consenso sempre que possível.

Essa votação leva em consideração a maioria simples dos presentes, ou seja, para que uma proposta seja aceita, a maior parte dos membros presentes devem concordar com ela.

Além disso, em caso de empate, é o presidente do COPOM que irá proferir o chamado “voto de qualidade”, que é o voto de desempate.

As decisões emanadas do COPOM devem ser publicadas por meio de comunicado do diretor de política monetária e esse comunicado deve acontecer no segundo dia, a partir das 18h, imediatamente após o término da reunião.

A taxa de juros fixada na reunião será a meta para a taxa Selic, que irá vigorar durante todo o período entre uma reunião ordinária e outra.

A ata dessa reunião geralmente é publicada em até quatro dias úteis após a última sessão, contudo, ela pode acontecer em até seis dias úteis, conforme dispõe o regulamento do comitê.

Calendário de reuniões do COPOM

O calendário anual das reuniões ordinárias é divulgado mediante comunicado do diretor de política monetária até o fim do mês de junho do ano anterior.

Também são admitidos ajustes até o último dia do ano de sua divulgação.

Crédito da imagem: Elza Fiúza/Agência Brasil.

Para 2019, o calendário já está disponível no site do Banco Central. Confira as datas das reuniões deste ano na lista abaixo:

  • 5 e 6 de fevereiro;
  • 19 e 20 de março;
  • 7 e 8 de maio;
  • 18 e 19 de junho;
  • 30 e 31 de julho;
  • 17 e 18 de setembro;
  • 29 e 30 de outubro; e
  • 10 e 11 de dezembro.

Além disso, também está prevista a divulgação do relatório trimestral de inflação deste ano nas seguintes datas:

  • 28 de março;
  • 27 de junho;
  • 26 de setembro; e
  • 19 de dezembro.

A importância do COPOM para a economia

Agora que você já sabe tudo sobre o COPOM, chega a hora de falarmos sobre a importância desse comitê para a economia brasileira.

Como visto anteriormente, uma das tarefas básicas do COPOM é analisar o cenário macroeconômico brasileiro e definir a taxa básica de juros que será aplicada no país – a Selic.

Além disso, o COPOM também publica o relatório de inflação a cada três meses, o que também pode acabar impactando a economia em diversos sentidos.

Os impactos dessa flutuação da Selic são sentidos por todos os brasileiros. Quando a taxa de juros está alta, normalmente as operações de crédito ficam prejudicadas, pois as pessoas tendem a evitar a contratação de empréstimos quando os juros estão altos.

Os juros elevados também acabam afetando a quantidade de dinheiro circulando na economia, que acaba diminuindo. Nesse cenário, as pessoas optam por guardar o seu dinheiro, o que acaba interferindo na inflação do país.

Crédito da imagem: Agência Brasil.

Para que tudo não se torne um verdadeiro caos, cabe ao COPOM fazer uma análise profunda do que está acontecendo na economia do país, analisando, também, aspectos políticos que podem afetar a economia.

Assim, ao aumentar ou diminuir a taxa Selic, o COPOM realiza a difícil tarefa de controlar o mercado de um país tão grande e tão rico como o Brasil.